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Como Evitar Vícios de Linguagem – O Guia Definitivo

Como Evitar Vícios de Linguagem – O Guia Definitivo | 

“Agora você matou a língua Portuguesa!”

É muito provável que você já tenha dito (ou ouvido) isto! Nas conversas do dia a dia, constantemente reparamos em erros de linguagem, falados por nós ou por nossos amigos. Tais erros podem facilmente se tornar motivo de piadas, saudáveis ou maldosas.

Mas, como comunicadores, não podemos aceitar a ideia de alimentar vícios de linguagem. Eles devem ser combatidos. Os vícios de linguagem podem trazer vários resultados negativos para o palestrante, dentre eles:

– Perder autoridade e/ou comprometer sua reputação;

– Não ser levado a sério;

– Distrair as pessoas, impedindo-as de se conectarem com sua mensagem;

– Causar perda significativa no possível impacto das palestras;

– E muitos outros…

Mas a boa notícia é que é possível evitar os vícios de linguagem e ter uma comunicação clara, objetiva e assertiva!

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Neste artigo vamos conversar sobre este importante assunto e trazer sugestões valiosas para você vencer o problema. Mas nosso foco será totalmente prático, ou seja, vamos deixar as definições técnicas por último, e já começar pelos problemas e soluções que mais nos atingem como oradores.

Na parte final, aprenda mais sobre as definições e exemplos de vícios de linguagem e como podemos evitá-los. Caso prefira ir direto aos tópicos que mais lhe interessam, fique à vontade para usar o índice abaixo. Este é um artigo bem completo, um guia definitivo de presente para você. Deixe sua participação por comentar.

Vícios de Linguagem – Principais Tendências Da Atualidade

Conforme você verá mais abaixo neste artigo, cada tipo de vício de linguagem tem um nome e uma definição. Mas, na prática, quais os principais erros que os palestrantes da atualidade têm cometido? Confira alguns maneirismos que estão “queimando o filme” de muitos oradores hoje em dia.

“Né?” – Vício da linguagem falada

O uso repetitivo desta expressão chega a ser irritante para alguns ouvintes. Ela se origina da junção de duas palavras: “não”+”é”=”né”. O pior é que os palestrantes que caíram neste vício normalmente demoram a percebê-lo. A incorporação é tão forte que alguns só se dão conta depois que alguém avisa.

Normalmente é usado no fim das frases, ou encaixado no meio de algumas frases mais longas. Esta mania queima o filme do orador porque causa uma impressão de insegurança, como se ele precisasse da aprovação ou concordância do público para continuar.

Em partes, é compreensível seu uso: o ser humano gosta e precisa de aprovação. O “né” coloca um ar de coleguismo na frase, deixando o palestrante com a confortável sensação de que seu público concorda com aquilo que ele está dizendo, mesmo que ninguém balance afirmativamente a cabeça.

Mas, nesta busca, na maioria das vezes inconsciente, por aprovação, o orador cria um hábito difícil de largar: falar “né” o tempo todo. Qual é a cura?

Em poucas palavras, procure se policiar. O primeiro remédio é tomar consciência do problema.

O Primeiro Remédio é tomar Consciência do Problema.

Para cortar este problema pela raiz, deve-se fazer um empenho extra na disciplina. Sempre que você acabar uma frase, deixe o ponto final cumprir sua função – uma pausa natural e necessária. Procure ter convicção no que diz; isso dispensará sua necessidade de aprovação.

Esta dica será matadora: Grave sua apresentação. Fale normalmente. Ao analisar a si mesmo falando, você terá a oportunidade de perceber quantas vezes você está repetindo o “né”. Este autoconhecimento vai ajuda-lo de uma forma impressionante.

Outra dica é pedir para alguém te avisar sempre que você estiver falando o “né” (tanto no cotidiano como nas palestras). Pode parecer desconfortável, mas esta prática vai te ajudar a corrigir a situação num tempo incrivelmente curto.

Fulano “ele” e Fulana “ela

INFELIZMENTE, ESTE É UM VÍCIO NACIONAL! Palestrantes, professores, políticos e até jornalistas andam cometendo este erro na atualidade. De que se trata? Usar os pronomes “ele” ou “ela” sem necessidade. Observe os exemplos abaixo:

– O Doutor José Paulo Silva, ele é um fantástico médico.

– A Especialista em oratória, Ana Maria Souza, ela vai dar uma palestra gratuita amanhã.

– O violão, ele é um instrumento de seis cordas que produz sons maravilhosos.

– A Bíblia, ela é um livro antigo, mas dá conselhos atuais.

Perceba um ponto fundamental: os pronomes “ele” ou “ela” aparecem desnecessariamente em todas as frases acima. A partir de agora, comece a prestar atenção nisto. É uma crescente tendência atual.

Na maioria dos casos, se trata de uma mania mesmo. Estamos escutando diariamente este erro, então ele acaba se incorporando em nossa linguagem também. Mas é possível dominar esta falha, e o primeiro passo é reconhecer a existência dela, assim como no caso do “né”.

Quando usamos o “ele” ou “ela” sem necessidade, é porque talvez, inconscientemente, estamos querendo ganhar tempo para formular o restante da frase. Também pode prejudicar a qualidade do ensino, pois passa a impressão de repetitividade.

Um dos segredos para se libertar desta mania é se preparar bem para a sua apresentação. Quando estamos com um bom alinhamento mental, não precisaremos repetir nenhuma palavra desnecessariamente. Aprenda a usar corretamente um esboço e procure usar frases curtas e objetivas. Pense antes de falar a frase, e não no meio dela.

“Bom…” e “Bem…”

Estas expressões são tradicionalmente usadas em inícios de frases. Muitas pessoas se afundam neste vício e ficam um bom tempo nele! Realmente é uma expressão bem “didática”, muito usada por pessoas que estão dando um treinamento ou palestra informativa.

Uma vez ou outra é aceitável, mas o exagero não é interessante.

Este “bom” e “bem” usado no início das frases corresponde a algo parecido com “é isso aí, vamos lá!”. Quem usa estas expressões com muita frequência talvez sinta uma falsa impressão de confiança e controle sobre o que vai dizer.

Apesar de ser uma fala comum do nosso dia a dia, quando em excesso, pode causar extrema distração nos ouvintes. Passa a impressão que sempre se está começando o raciocínio, mesmo estando no meio ou (até no fim) do discurso.

A solução é aprender a usar e diversificar alguns termos conectivos. Em geral, podemos falar diversas expressões para conectar um raciocínio e outro.

Por exemplo: mas, então, porém, no entanto, todavia, portanto, entretanto, em vista disto, e assim por diante. Desta forma, podemos sair do “bem” e do “bom” e começar a usar expressões coerentes e variadas, apropriadas para cada sentença do discurso.

Éh…” ou “Ãh…”

O “éh…” e o “ãh…” são terríveis…

Usados no início e no meio de algumas frases, normalmente eles são encaixados para preencher um espaço vazio do discurso. Sempre que o orador se depara com uma lacuna em seu raciocínio, ele fala “éh…”

O pior problema desta mania é que o palestrante passa uma péssima impressão de que está sempre fazendo esforço pra lembrar o que quer dizer. Assim como o “né”, este erro costuma passar despercebido por um bom tempo.

Um dos maiores segredos para se controlar este vício é aceitar os espaços vazios. Quando terminamos uma sentença, o vazio é natural. Um bom orador sabe o valor das pausas, e não sacrifica esta técnica inserindo interjeições desnecessárias. Assim como devemos respeitar o ponto e a vírgula durante uma leitura, devemos respeitar o breve silêncio de uma conversação espontânea.

Ao invés de preencher o vazio com “éh…” ou “ãh…”, aproveite a pausa para organizar a próxima sentença que deseja falar. Desta forma, quando você soltar a frase, ela sairá como um raciocínio completo, dispensando a necessidade de uma pausa no momento errado, com um preenchimento de lacuna igualmente errado.

Use a Pausa. Ela tem muito poder quando corretamente administrada.

Como medida adicional, aplique as sugestões que oferecemos no combate ao “né”, pois também são válidas para este caso.

“Agora” e “Ou seja”

Alguns abusam destas expressões ao falar em público.

O “ou seja” você já reconhece bem. O “agora” citado aqui é aquela mania de acabar uma sentença e depois dizer: “Agora, … tem isso e aquilo. Agora, …. se você pensar bem. Agora, … blá e blá”, e assim por diante durante o discurso todo.

Normalmente, o palestrante que repete muito estes termos, acha erroneamente que seus ouvintes precisam de explicações adicionais para cada frase do discurso. Ou pode passar a ideia de querer quebrar objeções de argumentos que ninguém está objetando.

Para combater seu uso excessivo, lembre-se de confiar na capacidade de entendimento dos ouvintes. Se o seu discurso cativar a atenção, dificilmente você precisará traduzir, ou dar uma nova conclusão, para cada frase dele.

Este caso é similar ao “bom…” que comentamos acima; o uso moderado não é condenável, o exagero sim.

Este vício distrai a atenção e faz com que seus ouvintes comecem uma contagem inconsciente da quantidade de vezes que você fala a mesma coisa. E, enquanto eles estiverem contando seus vícios, estarão perdendo a mensagem.

Até agora, já consideramos algumas principais tendências de vícios de linguagem na atualidade (principalmente na área da comunicação falada) e sugestões práticas para evitar cada uma delas. Veja a seguir algumas das causas principais dessa situação.

“Entendeu?”

Infelizmente, assim como o “né” ao término da frase, o “entendeu?” costuma chegar pra ficar.

Trata-se do vício de dizer “entendeu?” em praticamente todo fim de frase. É desnecessário. Alguns ouvintes podem se sentir subestimados quanto à capacidade de entendimento. Outros podem começar a contar a quantidade de vezes que você repete isto, e perdem todo o restante do que você falou.

As sugestões dadas anteriormente costumam combater eficazmente esta tendência.

Qual é a Causa dos Vícios de Linguagem ?

Saber as causas dos vícios de linguagem também nos ajuda a evita-los. Segue abaixo algumas causas principais.

– Desconhecer as regras gramaticais;

– Convivência com pessoas que já possuem vícios de linguagem;

– Má preparação para falar em público;

– Hábito de preencher o Vazio;

– Vocabulário Pobre;

– Não organizar sua matéria de forma lógica, para facilitar o proferimento;

Improviso mal elaborado ao falar em público.

Talvez apenas por ler estas causas, sua mente já imaginou várias formas de começar a combatê-las.

Mas, analise abaixo alguns artifícios comprovados para se evitar os vícios de linguagem.

Como Evitar Os Vícios De Linguagem – Técnicas que Funcionam

Antes de ler as técnicas de como evitar os vícios de linguagem, lembre-se de que a evolução neste sentido é gradativa. Não pense que da noite para o dia dá pra resolver tudo.

O empenho sério em praticar cada uma das técnicas abaixo é que vai trazer o resultado desejado em menor tempo. Boa notícia: a primeira técnica é bem simples – a leitura.

Técnica #1 Para Evitar Vícios De Linguagem: Leitura Regular

A ciência reconhece, a cada dia que passa, os incríveis benefícios que a leitura traz para o desenvolvimento mental. E um dos benefícios é ajudar a corrigir maus hábitos de linguagem. Mas como assim?

A pessoa que lê regularmente se acostuma a pensar e se expressar de modo correto. Entendeu a lógica? Parece mais comum errar falando do que errar escrevendo. E os livros sérios evitam ao máximo cometer erros na escrita. Portanto, alimentando a mente com estes corretos padrões, logo eles estarão presentes em sua fala também!

Para começar, reserve 15 minutos por dia para fazer uma boa leitura (de preferência em voz alta). Procure fazer desses 15 minutos um hábito, por não falhar em cumprir este compromisso. Preste atenção na construção de cada frase.

Também escolha um ambiente com pouca ou nenhuma distração. O livro não precisa ser acadêmico. Fique a vontade para ler algo que você goste, talvez até uma ficção científica ou um romance policial.

O maior segredo por detrás dessa técnica é que os padrões gramaticalmente corretos da linguagem escrita serão familiares para você. E, com este poder, sua linguagem falada irá refletir esses padrões. Isto, por consequência, diminuirá consideravelmente a possibilidade de erros.

Técnica #2 Para Evitar Vícios De Linguagem: Raciocine Antes de Falar.

Como já vimos, a precipitação em falar causa diversos erros na linguagem. Então, é importante aprender a raciocinar antes de falar. E como podemos fazer isso?

Primeiramente, saiba que não é feio falar pausadamente. Muito pelo contrário, o uso correto de pausas é uma importante técnica de oratória.

Acostume-se com o silêncio das pausas. Isso não significa que elas devam ser tão longas a ponto de deixar seu discurso monótono. Significa que elas terão o seu lugar, farão sua palestra respirar e te ajudarão a evitar erros.

É claro que o ensaio também é importante nesse aspecto. Mas quando se acostuma a raciocinar antes de falar, o resultado é que as ideias sairão completas, eliminando a suposta necessidade de preencher o vazio.

Técnica #3 Para Evitar Vícios De Linguagem: Amplie Seu Vocabulário

É certo que muitas falhas na linguagem falada se devem a um pobre vocabulário. A ausência de opções de palavras faz com que os erros aflorem.

O passo abordado anteriormente, a leitura, pode ajudar bastante, pois quanto mais se lê, mais se aprende palavras. Como passo adicional, comece a prestar atenção a palavras que você desconhece e use-as no dia a dia.

Mas para usar palavras novas, deve-se primeiro conhecer seu significado. Então, seja amigo do dicionário. Sempre que ler ou ouvir uma palavra nova, procure seu significado e incorpore esta palavra no seu vocabulário.

Conheça e use termos conectivos de ideias, como por exemplo: “mas, então, porém, no entanto, todavia, portanto, entretanto, em vista disto”, e assim por diante.

Uma palavra de cautela: certas palavras caíram em desuso. Cuidado para não começar a ter uma linguagem que ninguém conhece (por ser antiga ou desconhecida) ou antiquada para os dias atuais.

Técnica 4# Para Evitar Vícios De Linguagem: Modere no Uso de Gírias e Maneirismos

A gíria faz parte da cultura de uma geração. Podemos definir gíria como “um acidente linguístico”, ou seja, uma palavra usada apenas em caráter popular. Pode ser uma palavra que literalmente não significaria o que a pessoa realmente quis dizer.

Maneirismos são expressões de estilo próprio de algumas pessoas, composta de palavras nem sempre incorretas, porém de uso repetitivo. Às vezes são “frases feitas”. Exemplos:

“Pode pá” (gíria): significa “pode crer”.

“Tipo assim” (maneirismo): significa “veja bem”.

“Morô?” (gíria): significa “entendeu?”

“Só o pó” (maneirismo): significa “cansado”.

Não precisamos ser muito rígidos quanto a definir gírias e maneirismos, pois o significado de um pode ser parte do outro. Ambos são extremamente comuns nas conversas informais entre amigos e nas interações sociais em geral. Porém, quando seu uso é extremo, as gírias e maneirismos começam a sair em ambientes em que não são apropriadas.

O segredo é não se acomodar. A preguiça de pensar faz com que usemos a gíria como muleta. Mas como comunicadores, precisamos desenvolver a arte de falar, se fosse preciso, sem usar nenhuma gíria. Isto leva treino e esforço consciente.

Não precisa usar a linguagem extremamente séria e formal enquanto estiver tomando cerveja com seus amigos. Em contrapartida, não abuse tanto das gírias e maneirismos como se não soubesse se comunicar sem elas.

Tomar esses cuidados com sua comunicação não significa que você não usará, em hipótese alguma, as gírias e maneirismos ao falar em público. Desde que sejam singelos, respeitosos e usados com moderação, podem até fazer parte de uma estratégia de oratória (ênfase, por exemplo).

O grande segredo é dosá-los com equilíbrio e bom senso, para que eles não se tornem um vício de linguagem.

Técnica 5# Para Evitar Vícios De Linguagem: Controle a Ansiedade

O nervosismo pode contribuir para falarmos errado. Para controlar a tensão, siga os passos abaixo:

– Pense no bem que sua palestra pode fazer para seu público; Goste das Pessoas.

– Prepare-se com boa antecedência.

– Faça ensaios em voz alta, várias vezes.

– Concentre-se nas ideias que quer transmitir e não só nas palavras que quer usar

– Chegue cedo ao local; procure dormir bem na noite anterior à palestra.

– Prefira frases curtas; raciocínios extensos aumentam a probabilidade de erros.

Classificação dos Vícios de Linguagem

Uma vez que já analisamos os aspectos mais práticos e que você pode começar a aplicar ainda hoje, vejamos agora a classificação (segundo a língua portuguesa) dos vícios de linguagem. Esta visão ampliada reforçará a necessidade de implementar logo as sugestões já abordadas neste artigo.

São as seguintes: Pleonasmo, Gerundismo, Solecismo, Barbarismo, Plebeísmo, Preciosismo, Arcaísmo, Neologismo, Ambiguidade, e Cacofonia. Nota: A cada dia surgem novas classificações. Mas, em geral, são apenas derivações dessas principais já mencionadas.

Pleonasmo

“Pleonasmo” vem de uma palavra grega (pleonasein) que significa “ser mais do que suficiente”. Portanto, este vício de linguagem é caracterizado por uma repetição desnecessária de palavras com significado semelhante. Exemplos:

“Vou Entrar para Dentro” – O correto seria apenas: “Vou entrar”

“Vamos descer para Baixo” – O correto seria apenas: “Vamos descer”

Pleonasmo é sinônimo de “Redundância”. Redundância vem do latim “redundare”, que basicamente significa “voltar”. Sim, o praticante do pleonasmo está como que constantemente voltando na mesma coisa.

Gerundismo

Tá na moda o gerundismo. Mas isto não o isenta de ser um vício de linguagem.

Na língua Portuguesa, o gerúndio é uma conjugação verbal que indica uma causa ou efeito verbal em andamento. Exemplo: o gerúndio do verbo ganhar é “ganhando”; do verbo apresentar é “apresentando”, e assim por diante.

Exemplos do gerúndio mal empregado (gerundismo):

“Vou estar ligando pra você depois”. – O correto seria apenas: “Vou ligar pra você depois”.

“Vamos estar concluindo o trabalho hoje”. – O correto seria apenas: “Vamos concluir o trabalho hoje”.

Pessoas que tem o vício do gerundismo costumam utilizar verbos conjugados no tempo presente para aplica-las ao passado, presente e futuro. É uma forte tendência nos dias atuais.

Solecismo

A palavra “Solecismo” vem do Grego “Soloikismós”, que significa “erro contra as regras do idioma”. Originou-se em Sóloi, uma cidade da Cilícia onde se cometiam muitos pecados contra a língua grega.

Na língua Portuguesa, o Solecismo define um vício de linguagem em relação à sintaxe, ou seja, à coerência das palavras numa frase e das frases no discurso. Então, quando você diz expressões gramaticalmente incorretas, está cometendo o vício de linguagem denominado Solecismo.

O Solecismo, por sua vez, é subdividido em três formatos: Em relação à Concordância, em relação à Regência e em relação à Colocação.

– Solecismo em relação à Concordância. Este tipo é o mais facilmente notado, até por quem conhece bem a nossa língua portuguesa. Exemplos:

“Nós era terrível”. O correto seria: “Nós éramos terríveis.”

“A gente fomos passear”. O correto seria: “A gente foi passear”.

Perceba que, aprendendo a usar com coerência o modo plural e o modo singular, podemos evitar bastante este tipo de vício de linguagem.

– Solecismo em relação à Regência. Este tipo é mais discreto. É percebido pelos que possuem bom conhecimento do português. Regência é a parte da gramática que estuda a relação de subordinação entre os verbos, ou nomes, e as palavras complementares inter-relacionadas. Exemplos:

“Você vai no médico?” O correto seria: “Você vai ao médico?”.

“José assistiu o filme.” O correto seria: “José assistiu ao filme”.

– Solecismo em relação à Colocação. Com os exemplos abaixo, você vai perceber que o Solecismo em relação à colocação também é um tanto discreto. É muito fácil cometer este tipo de erro; nós o escutamos diariamente nas músicas e nos diálogos.

“Me arrumei à toa”. O correto seria: “Arrumei-me à toa”

“Não contive-me de tantas risadas.” O correto seria: “Não me contive de tantas risadas.”

É bem perdoável; mas quem passa a conhecer o padrão correto costuma fazer ajustes.

Barbarismo

Basicamente, o Barbarismo envolve falar ou escrever uma palavra erroneamente. A linguagem popular está repleta de barbarismos. Algumas palavras “erradas” são tão constantemente pronunciadas e repetidas, que aos poucos se incorporam no vocabulário de uma geração.

Mas a popularidade do Barbarismo não o torna gramaticalmente correto. A única exceção é que, se usado propositalmente, pode ser considerado uma figura de linguagem.

Assim como no Solecismo, podemos dividir este vício de linguagem em algumas categorias: 1) Quanto à Pronúncia; 2) Quanto à Morfologia; 3) Quanto à Semântica e 4) Estrangeirismos.

– 1 ) Pronúncia:

Como o nome diz, se trata de pronunciar uma palavra incorretamente. Exemplos: Estrupo (correto: estupro); poblema (correto: problema); probrema (correto: problema). Este aspecto do Barbarismo também é conhecido como Cacoepia. Cacoepia significa “pronúncia errada, viciosa”.

Ainda no que se refere a este campo, existem os erros de pronúncia em relação à sílaba tônica. Sílaba tônica é a sílaba com som mais forte dentro uma palavra. Quando não se respeita a sílaba tônica (quer acentuada quer não), cometemos um erro de pronúncia. Este aspecto do Barbarismo também é chamado de “Silabada”.

Exemplos de Silabada: “Faça este curso gratuíto”. (A palavra “gratuito” não leva acento. A pronúncia correta é “gratuito”, como se houvesse um acento agudo na letra “u”, e não na letra “i”.)

Outro exemplo: “Você tomou as pilúlas?” (A palavra “pílula é acentuada. Deve-se respeitar a sílaba tônica “pí”, e não a sílaba “lu”.)

Finalizando esta questão da pronúncia, ainda temos a Cacografia, que se refere aos erros de escrita, ou, grafia. O modo de escrever muitas vezes é relacionado ao modo de falar. Quem escreve errado, fala errado. Exemplos:

“Vou falar com o meu adevogado”. Trata-se de um erro na grafia e na pronúncia. (Correto: “Vou falar com meu advogado”)

“Ele usa muita perçuasão”. Trata-se de um erro na grafia. (Correto: “Ele usa muita persuasão”).

– 2) Morfologia:

Como categoria do Barbarismo, este aspecto se refere a erros na flexão e composição das palavras. Quando se muda um contexto, muda-se também a estrutura da palavra na frase. “Morfologia” vem do grego “morphe” (morfo = forma) e (logia = estudo). Exemplos:

“Você se manteu com o pouco que tinha”. Trata-se de um erro na flexão da palavra (Correto: Você se manteve com o pouco que tinha).

“Ele trazeu muita carne.” (Correto: “Ele trouxe muita carne”)

– 3) Semântica:

Na língua portuguesa, a semântica se refere ao estudo dos significados das palavras e sentidos das frases do discurso. Uma pequena mudança em uma palavra pode mudar completamente o sentido de uma frase. Exemplos:

“A profecia teve seu comprimento”. (Correto: “A profecia teve seu cumprimento”. Note que uma letra pode mudar tudo).

“Esta ferramenta se tornou absoleta.” (Correto: “Esta ferramenta se tornou obsoleta.”)

– 4) Estrangeirismos:

Muitos consideram o Estrangeirismo como um vício de linguagem vinculado ao Barbarismo. Como o nome sugere, significa usar palavras de um idioma estrangeiro no meio da sua conversa. Culturalmente falando, é compreensível. Gramaticalmente, porém, nem sempre uma palavra estrangeira tem seu uso liberado num certo idioma. Exemplos:

“Você tá sendo muito bad com ele”. (Correto: “Você está sendo muito mal com ele”).

“Este tom de azul está muito dark.” (Correto: “Este tom de azul está muito escuro.”)

Detalhe: Não é considerado um vício de linguagem quando uma palavra estrangeira já foi oficialmente incorporada num idioma (Ex.: Verbo “Deletar”), ou quando não há uma correspondente exata (Ex.: “Marketing”).

Plebeísmo

O termo plebeísmo basicamente se refere ao modo de falar como plebeu, ou seja, como um membro da parte mais popular da sociedade. Dentro do seu significado podemos incluir os maneirismos e as gírias.

Também está incluído o modo de falar “chulo”, ou pobre de instrução.

Exemplos:

“Bora botar sebo nas canelas que os trem estão chegando.”

“Cola na grade pra gente resolver essa fita, sangue bom.”

Nota: A linguagem popular faz parte da cultura de uma nação e de uma geração. Não deve haver discriminação. Porém, se quiser ser um ótimo orador público, terá também de evitar este vício de linguagem, principalmente nos ambientes formais.

Preciosismo

Preciosismo (como vício de linguagem) é o hábito de tornar desnecessariamente complexas as estruturas das frases. Já ouviu aquela frase: “Este fulano fala difícil!”? É considerado vício de linguagem, pois a comunicação clara da linguagem deve ser limpa e assertiva. Qualquer dificuldade desnecessária se torna um obstáculo na sua comunicação.

Quando usado propositalmente, pode se tratar de um estilo literário/poético.

Exemplos:

“Foi sua intrepidez de coração que o fez vencê-lo sem pusilaminidade, já que lhe faltava o fulgor juvenil dos tempos de outrora.”

Poderia ser: “Sua coragem de coração que o fez vencer sem medo, já que não tinha a força da juventude.”

Note que este vício de linguagem muitas vezes está relacionado ao uso de palavras desconhecidas. Envolve também um uso mais constante dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes).

Arcaísmo

O nome “Arcaísmo” também é bastante sugestivo. Lembra algo arcaico, ou velho demais.

Este vício de linguagem basicamente se refere ao uso de palavras muito antigas (às vezes inadequadas) e/ou ao uso de estruturas que deixaram de ser usadas pelo idioma.

Há quem acredite que o arcaísmo não devesse ser considerado vício de linguagem. É compreensível pensar assim, pois palavras antigas podem ser belamente usadas numa comunicação mais culta e tradicional. Porem, o problema é que algumas palavras adormeceram tanto que se tornaram desconhecidas para as gerações atuais. Caíram em desuso.

Exemplos:

“Em suma, contarei – a guisa de exemplo – uma história final para vossa mercê.”

Note que não há nada de errado nesta frase. Mas as palavras “suma” e “guisa” são expressões mais antigas. Simplesmente caíram em desuso. Sem contar a antiga estrutura do termo você (“vossa mercê”), que não é mais necessária.

Então, se as palavras e/ou estruturas antigas dificultam a compreensão na atualidade, a solução é nos adaptarmos e usarmos uma linguagem mais moderna e que atinja os objetivos da sua comunicação.

Lembrando que existe o arcaísmo literário, usado de propósito para embelezar muitas obras da nossa literatura portuguesa. Mas o arcaísmo linguístico pode ser facilmente combatido por se usar palavras simples e atuais, garantindo uma comunicação eficiente e compreensível.

Não discrimine quem usa palavras mais antigas. Lembre-se de que os termos antigos foram o alicerce para os termos novos. Quando necessário, use um dicionário para compreender o que um patriarca lhe disse. (rss…) Amplie seu conhecimento conhecendo “novas palavras antigas”.

Em contrapartida, certifique-se de que seu público esteja familiarizado com o seu vocabulário.

Neologismo

Os neologismos também são classificados como vício de linguagem, pois se tratam de novas palavras e/ou estruturas que ainda não foram incorporadas no idioma.

A palavra “neologismo” vem do grego neo+logos (“neo” significa “novo”; “logos” significa “palavra, estudo”). É uma forte tendência criar e recriar termos na comunicação.

Mas se estas palavras não são oficiais, se tornam um vício de linguagem. Muitas vezes o neologismo surge em uma improvisação na linguagem do dia a dia. E um bom improviso acaba se tornando frequentemente usado, encaixando-se gradativamente no vocabulário.

Exemplos: “Estou falando isto apenas esmaticamente.” (“esmaticamente” vem de “esmo”)

“Agora consigo linkar uma coisa com a outra”. (“linkar” vem da palavra inglesa “link”, que basicamente significa “ligar”)

Perde-se a conta de quantos neologismos são criados diariamente. O idioma falado é submetido a constantes mudanças com a passar do tempo. Não há limites para novas criações e adaptações.

Ambiguidade

“Ambiguidade” é uma derivação de “ambos”. Ocorre quando uma frase pode ter dupla interpretação.

A ambiguidade é um vício de linguagem proveniente de uma distração ou precipitação no modo de falar. Na maioria das vezes, a pessoa só apercebe que cometeu uma ambiguidade após ter falado a frase. Chega a ser engraçado.

Trata-se de um duplo sentido na interpretação.

Exemplo:

Maria expulsou Ana de dentro de sua casa. (Note que esta frase causa uma dupla interpretação; afinal, Ana foi expulsa de sua própria casa ou da casa de Maria?)

O que ajuda a dissolver uma ambiguidade é o contexto da informação. Mas, e quando a pessoa não tem acesso ao contexto? Portanto, o melhor a se fazer para evitar a ambiguidade é pensar antes de falar, e formular uma frase bem assertiva.

Ambiguidade também é chamada de Anfibologia.

Cacofonia

Cacofonia é um vício de linguagem caracterizado pelo som desagradável proveniente da junção e/ou repetição de certas sílabas numa frase.

A palavra cacofonia provavelmente tem raiz no grego, a partir das palavras kako+phone, que juntas significam malsonância, ou, som desagradável. Outra possibilidade de tradução é “arruinar o som” (“kakos” é do grego arruinar, destruir, queimar).

Este vício de linguagem pode ser dividido por formas de ocorrência: a colisão, o eco, o hiato e o cacófato.

Exemplo de Colisão: “Vou deixa-la lá.” (Neste caso, a Cacofonia foi o: “LaLa”. A colisão acontece quando sílabas idênticas se juntam formando um som estranho)

Exemplo de Eco: “A Associação não deu a aprovação da transmissão da programação na televisão”

Neste caso, a Cacofonia foi o “ão-ão-ão-ão”. O eco foi formado pela repetição de sílabas iguais em diversas palavras na frase, formando um som esquisito.

Obs: O “eco” também pode ser chamado de Assonância.

Exemplo de Hiato: “Foi interligada à área.”

Neste caso, a Cacofonia foi o “a-à-á”. Leia esta frase um pouco mais rápido, e perceberá o desastre. Hiato significa “encontro de vogais em palavras diferentes”.

Exemplo de Cacófato: “Vou-me já que a pressa em mim abunda”.

Neste caso, a Cacofonia foi o significado obscuro formado apenas pelo som, não pela escrita desta frase. Ou seja, a junção de sons formou um sentido esquisito.

O contrário de cacofonia é Eufonia (efeito acústico agradável produzido pela combinação de sons numa palavra ou numa frase).

Conclusão Sobre os Vícios de Linguagem

Gostaria de agradecer por você chegar até aqui. Este artigo completo nos deu uma visão geral sobre como evitar os vícios de linguagem, tão presentes na atualidade.

Espero que a parte inicial do artigo tenha somado a você conhecimentos práticos importantes para sua oratória. Também foi importante considerar as classificações formais dos vícios de linguagem, para que, a partir de agora, se faça um esforço especial e consciente para evita-los.

A cada dia, são classificados novos vícios de linguagem. Mas note que eles normalmente são ramificações dos vícios já comentados aqui no artigo.

Por favor, não saia sem deixar seu voto para o texto e seu comentário com sugestões, críticas ou elogios.

Como Evitar Vícios de Linguagem – O Guia Definitivo
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